quarta-feira, novembro 04, 2015

O último desfile da Oktoberfest deixa o gostinho de quero mais

Por Bruna de Miranda e Gislene Razini

Os famosos chapéus de feltro na cabeça do público, formavam um tapete visto por cima da multidão. Os mais festeiros pulavam sem se importarem em derramar o chope. As diversas músicas tocadas pelas bandas e fanfarras eram seguidas pelas vozes em coro. Uma abundância de culturas misturava-se entre as cores: preto, vermelho e amarelo.

A tradicional e maior festa alemã das américas, a 32ª Oktoberfest, da cidade de Blumenau, iniciou no dia 07 de outubro com o desfile de abertura, que se estendeu da Alameda Rio Branco até o começo da rua XV de Novembro.

Os organizadores programam todos os anos seis desfiles típicos durante os dias da festa, que são realizados nas quartas e nos sábados. Porém, este ano, na quarta-feira dia 21 de outubro, o evento foi cancelado devido a constante chuva que castigou a região e transferido para as dependências da Vila Germânica. O blumenauense enfrentou três dias de aflição, enquanto o volume do Rio Itajaí-Açú aumentava.

Mas no sábado (24) o sol voltou à Blumenau e trouxe junto com ele o sorriso da população. Apesar da ameaça de chuva e a preocupação com uma possível enchente, o público não desanimou e foi até a rua XV para prestigiar o último desfile.

Galeria de fotos:
Público na rua XV

Deolinda de Souza, que tem 62 anos e é moradora de Blumenau desde 1990, assistiu ao desfile deste sábado, e mostrou-se empolgada com as novidades apresentadas. “Eu acho muito lindo, as crianças, os trajes completos, toda a música e cultura. Eu e meu marido não deixamos de conferir nenhum ano, sempre tem coisa nova”, ela fala.

A maior concentração de público estava em frente à lanchonete Tunga, localizada ao lado do castelinho Havan. Lugar que há alguns anos é considerado o ponto de encontro dos fritz e fridas que desejam aproveitar as atrações do desfile antes da festa.

De tiara florida e com o copo de chope na mão, encontramos a paulista Vanessa Vilvert. Ela chegou na cidade na quinta-feira, e a mais de um ano ela planeja as férias para ter a oportunidade de conhecer a Oktoberfest. “É a primeira vez que eu venho a Blumenau e prestigio a festa e o desfile. Está muito bonito. É bem interessante, todo mundo caracterizado, vestido bonitinho”. Ela diz.

Confira a entrevista na íntegra abaixo:

Marcaram presença no desfile os grupos folclóricos, bandas escolares, alegorias e carruagens. Entre as novidades do desfile, uma das que mais se destacaram foi o Cucawagen, que distribuiu fatias de cuca para quem assistiu as duas horas de desfile. O vovô e a vovó Chopão, a realeza da Oktoberfest 2014 e as candidatas deste ano também participaram. Estima-se que mais 3 mil pessoas desfilaram entre as 96 atrações.

Além do desfile, os turistas aproveitaram para conhecer o comércio na rua XV. A maioria dos comerciantes estendem o horário dos estabelecimentos para atender a necessidade do público e também para lucrar durante o período da festa. Um exemplo é o comerciante Augustinho Boing, que possui um estabelecimento na rua XV há 13 anos e considera-se um amante da festa, ele lamenta que tenha acabado tão rápido. “Além das atividades no pavilhão serem maravilhosas, a Oktoberfest é uma ótima oportunidade para alavancar as vendas, trazer um pouco de lucro para a cidade”. Conta.

A expectativa da internet democrática e a realidade dos cibercrimes

Por Gislene Razini
Existem vários posts onde algumas imagens são retratadas com “Expectativa x Realidade” na web, e com certeza você já viu um desses na sua timeline. A internet se encaixa perfeitamente neste contexto. De um lado a expectativa de imaginar um ambiente democrático em que as pessoas possam compartilhar aquilo que gostam e apoiam, do outro, a realidade gritante do #SóQueNão.

A luta pela liberdade de expressão é nula quando os comentários, as mensagens, as imagens e as páginas proliferam o preconceito e o racismo nas redes. Os negros e as religiões africanas são os alvos principais dos crimes cibernéticos. De acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as religiões de origem africana são praticadas por 0,3% da população brasileira e também as que mais sofrem discriminação.

E só para lembrar: a liberdade da crença é um direito e tem estatuto vigente há cinco anos, o Estatuto da Igualdade Racial, Lei 12.288/2010 protege todas as religiões africanas e também os locais em que são praticadas.

O ambiente virtual transformou-se em um dos maiores depósitos de insultos, difamação e escárnio por motivo de religião, e é uma ilusão pensar que o anonimato garante a impunidade. Em muitos casos, o agressor é identificado ao revelar dados pessoais para pessoas que conhece na internet, através do bate-papo, e assim, a identificação torna-se mais fácil.

Os dados apresentados pelo Disque Direitos Humanos - o Disque 100 - da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), registrou de 2011 a 2014 um total de 504 denúncias, das quais 35 % tratava-se de religiões de matriz africana.

A verdade é que não tem como controlar a tudo e a todos, mas com a ajuda de pessoas conscientes e que respeitam o próximo, pode-se diminuir e monitorar os cibercrimes. E não só de cunho religioso, mas qualquer sentimento de ódio publicado na internet.

Com o aumento destes crimes, várias organizações criaram sites e grupos de atendimento para receber denúncias de qualquer tipo de violação contra os Direitos Humanos na internet. A punição para os praticantes do cibercrime maiores de 18 anos é o pagamento de indenizações e, dependendo da gravidade, podem até serem presos. Para os menores de idade, a pena é outra.

Os perigos da internet: Suspeito utiliza informações de rede social para cometer sequestro


Por Jotaan Sérgio da Silva.

Foto: Reprodução/Polícia Civil MG.
As redes sociais são hoje, os locais em que a maioria das pessoas passam a maior parte do seu tempo. Os jovens então, podem passar horas em frente ao computador, ou com seu smartphone na mão. Apesar de ter uma grande utilidade, em diversos aspectos, as redes sociais também podem ser perigosas, para quem não sabe utilizar de modo seguro.

Atualmente, a maior rede social do mundo é o Facebook, com mais de 1,4 bilhões de usuários. E foi por este portal que um homem teria cometido um sequestro a um garoto de 9 anos, em Ilhota (SC), no Vale do Itajaí, em maio de 2014. Peterson da Silva Machado, de 31 anos, teria colhido informações sobre a vítima pelo facebook, e em seguida planejado o crime.

Em depoimento à Polícia Civil, Machado disse ter acompanhado as postagens do menino, que tinham fotos da residência, local onde estudava e etc. Em entrevista ao Jornal de Santa Catarina, o suspeito disse ter vigiado a rede social da vítima por no máximo 10 dias.

“Comecei a descobrir pelo Facebook onde o filho estudava e o que o pai dele fazia e então decidi sequestrar o garoto. Falei para minha esposa que queria um tempo, me separei dela e comecei a investigar a família. Sabia que se eu pedisse R$ 500 mil eles teriam. Planejei tudo acompanhado ele pelo Facebook. Lá tem tudo da vida deles, tem até foto de dentro da casa família. Levei uns 10 dias para planejar tudo e fiquei três dias em Ilhota acompanhando a vida da família”, afirmou.

Além da rede social, o sequestrador acompanhou a vida do garoto, para planejar o crime, porém, foi mesmo o Facebook, que o deixou com as informações necessárias para cometer o sequestro. E isso demonstra o quanto as pessoas deve ser cuidadosas em relação as informações que são postadas nas redes sociais.

Apesar de ser um local onde as pessoas podem desabafar, ostentar ou mostrar suas atividades do dia a dia, é necessário que haja um cuidado para com quais pessoas poderão ver os compartilhamentos. O mais aconselhado é sempre privar aos amigos, os conhecidos, as informações e postagens mais intimas, e deixar para os desconhecidos apenas aquelas que apenas destacarão quem você é.

Crianças roubam a cena nos desfiles da Oktoberfest

Por Pâmela Consenso e Tatiane Signorelli

Um barril de chope é muito pouco para nós... Opa, chope? Eu acho que não. Cada vez mais as crianças têm ganhado espaço na Oktoberfest, principalmente nos tradicionais desfiles que acontecem na rua XV de Novembro, coração de Blumenau. No dia 14 de outubro, nem a chuva espantou as pessoas que foram ver o evento, que mobiliza a cidade inteira. A cada edição mais e mais pessoas prestigiam as mais de 90 atrações e muitas vezes os pequeninos é quem roubam a cena.

Veja abaixo o vídeo com alguns momentos do desfile do dia 14 de outubro de 2015.

Seja dentro de carrinhos dormindo ou ao lado dos familiares pulando e dançando, os inexperientes foliões atraem a atenção de quem fica ao longo das grades apreciando a beleza da cultura que envolve os desfiles.

São avós, pais e filhos. Gerações que se unem para manter viva a tradição alemã. Mais do que mostrar seus pequeninos, as famílias se orgulham de levar adiante uma cultura na qual cresceram e foram criadas. O casal Rejane e Maurício Baum participa da Oktoberfest desde criança. E há oito anos, com a chegada da pequena Elisa, começaram a desfilar na rua XV. A família, vestida com trajes típicos, participou de todos os desfiles dessa 32º edição da festa. “Durante a semana às vezes é meio complicado, por conta do trabalho e da escola. Mas sempre damos um jeito. É um orgulho estar aqui e mostrar para a Elisa desde cedo a tradição envolvida na Oktoberfest. Desde cedo a gente explica o motivo do traje e a importância de manter a tradição”.

Família Zimmermann no desfile
E enquanto uns aproveitam a folia, outros mal sabem o que está acontecendo. É o caso do Miguel, de um ano e três meses. Filho do casal Isabel e Henrique Schultz, ele dorme tranquilamente em seu carrinho enquanto a festa acontece. “Ele é muito tranquilo. É como se essa música alta nem existisse. Parece estar em casa”, ri Isabel olhando para o filho. Segundo o casal, é importante que haja essa interação entre gerações porque, assim, as crianças já crescem tendo um apego e um carinho grande pelas tradições. “Algumas pessoas acham errado trazer uma criança tão pequena para o meio de tanto barulho. Nós não vemos problema nenhum, principalmente porque o Miguel é muito calmo e fica muito feliz de estar aqui, quando ele está acordado”, brincou a mãe.

Outro pequeno que chamou a atenção do público foi o Otto Zimmerman de um aninho. Ele é filho da jornalista Cristiane Soethe Zimmermann e do presidente da Fundação Cultural de Blumenau, Sylvio Zimmermann Neto. Eles já desfilam há uns cinco anos pelo grupo do Clube Bela Vista e este ano o casal levou o mais novo membro da família para participar da festa. “Para a gente é uma alegria muito grande participar do desfile, costumo dizer que é o nosso carnaval. Então nós queremos mostrar para ele desde cedo a importância de valorizar a cultura dos antepassados dele”, disse Cristiane.

Ao contrário de Miguel, Otto quer é saber de curtir aquele momento. Ele manda beijo para o público, brinca e dança junto com a música com direito a coreografias. “ É muito gostoso, ele se envolve bastante com a festa”, falou Cristiane.

Blog O Foca entrevista a jornalista Cristiane Soethe Zimmermann, sobre a importância de levar os pequenos nos desfiles da Oktoberfest.
Confira também as fotos das crianças no desfile da Oktoberfest do dia 14 de outubro de 2015.
Crianças roubam a cena no desfile

Oktoberfest, Blumenau em desfile

Por Alexandre Aicardi

 Criada para revigorar a economia, abalada por trágicas enchentes seguidas do Rio Itajaí-Açu e também elevar a moral e o ânimo dos cidadãos, a Oktoberfest Blumenau teve sua primeira edição em 1984.

O desejo de realizar uma festa alemã, com mais de 200 anos de tradição, já se fazia presente e a inundação foi o estopim para a criação da maior festa da cerveja da América do Sul, onde se reúnem centenas de milhares de pessoas por ano.

Desde o início, a festa mostra força e o sucesso se consolida em sua terceira edição, com a construção de mais um pavilhão e a utilização do ginásio de esportes Sebastião Cruz, conhecido popularmente como Galegão, para atender os turistas vindos de todos os cantos do planeta.

Destino turístico mais procurado em Santa Catarina no mês de outubro, a Oktoberfest apresenta a riqueza cultural local, com música, dança e gastronomia, típicas dos costumes germânicos. A principal atração são os pavilhões na Vila Germânica, com entrada a trinta reais aos finais de semana.

Guardadas as devidas proporções, um verdadeiro carnaval, alemão de fato, com as mesmas características de salão, enriquecido com as matinês singulares da festa germânica de 19 dias de duração.

Outra tradição presente são os desfiles no coração central da cidade. Nesta edição, a 32ª, mais de três mil pessoas em 96 atrações desfilaram na rua XV de Novembro só no primeiro dia.

No vídeo a seguir logistas, público, envolvidos no desfile e turistas comentam a importância e a emoção de participar da festa.


O comércio e as ruas enfeitadas, lotadas de turistas e blumenauenses em sintonia, referendam a alegria e a singularidade da garra e perseverança dessa gente e possibilita a verdadeira participação popular, que se renova a cada edição da festa, como nos depoimentos abaixo.





Característica natural do Vale do Itajaí, toda região é afetada por cheias e o período de transformação climática que vivemos contribui com a recorrência de ocorrências naturais extremas cada vez mais frequentes.

Mesmo com o nível do rio a molhar os sapatos; o contexto cotidiano rico em ódio, raiva e intolerância; as crises mundiais de todos os aspectos, com maior ou menor intensidade; a roubalheira; os buracos infinitos do tapete negro nas ruas maltratadas; a insegurança do momento econômico; os pessimistas de plantão e todas as formas possíveis de submissão e dominação, de repente, desaparecem.

Surge uma trégua, como uma cápsula mágica, avalizada pela história cultural e o reconhecimento de suas dificuldades e desafios superados, onde a liberdade, a igualdade e alegria predominam e o desfile de fantasias renova as energias e a fé do povo da cidade.

Galeria de fotos:

  Oktoberfest 2015 - Alexandre Aicardi

Orgulhosos em seus trajes típicos, o otimismo e a esperança contagiam as ruas, as lojas, os locais e os de fora. Os dogmas são deixados de lado e até superados, enquanto o povo sai às ruas para exaltar suas origens, confraternizar e festejar a renovação, através dos desfiles e suas atrações características, como na canção do mestre Chico Buarque de Olanda: “Ai que vida boa olerê, ai que vida boa olará. O estandarte do sanatório geral, vai passar...”

quarta-feira, outubro 28, 2015

O machismo por trás dos desfiles da Oktoberfest

Por Carolina Ignaczuk e Janaina Proença

Nicole Santos já se acostumou com as cantadas ofensivas


Todo ano é a mesma coisa. Em setembro, a cidade de Blumenau (SC) começa a se preparar para a Oktoberfest – a maior festa alemã das Américas. A Oktober já está em sua 32ª edição e embora muita coisa tenha mudado de lá para cá, algumas atitudes continuam as mesmas. Infelizmente, relatos de assédio são comuns para as mulheres durante o mês de outubro. Eles acontecem em todos os lugares: nas ruas perto de suas casas, nos pavilhões da Vila Germânica ou nos desfiles tradicionais na rua XV de Novembro. 

A grande pergunta é: como lutar contra algo que está tão enraizado em uma festa tão grande como essa? A questão fica ainda mais problemática, quando esse ano, em uma campanha infeliz para promover a Oktoberfest, a Brasil Kirin, cervejaria patrocinadora oficial do evento veiculou uma propaganda machista, mostrando as mulheres da cidade como parte das “atrações turísticas”.

São poucas as mulheres que não vivenciaram nenhum tipo de assédio no período de Oktober. Elas são de todas as idades, mas não recebem nenhuma atenção da mídia – perante a sociedade, elas não têm voz. Em dias de desfile, apenas por andar pelas ruas, meninas são vítimas de cantadas machistas e ofensivas, isso sem falar nos puxões e passadas de mão que recebem sem consentimento. Foi o caso da estudante de apenas 16 anos, Caroline Seubert. Ela estava caminhando, quando aproximadamente 5 caras vieram ao seu encontro, pegando em seu braço e a chamando de gostosa. Sem saber o que fazer, a menina saiu correndo. “Eu acho que os caras deveriam ter consciência de que o que eles estão fazendo não é legal”, explica.



Essas atitudes já viraram rotina para as blumenauenses que vão aos desfiles. Nicole Santos, de 18 anos, conta que infelizmente considera o assédio normal e que todas as meninas que acompanham a Oktoberfest já passaram por isso. A estudante comenta que, neste ano, isso também aconteceu com ela. “Quando isso acontece, eu fico brava, mas não tem o que dizer. Vai acontecer, a gente já espera por isso”, lamenta.



Toda mulher vira alvo de cantadas

Se as mulheres que só assistem ao desfile são assediadas dessa forma, imagine quem está lá desfilando. A rainha da Oktoberfest 2015, Tamíris Gallois Ficht, conta que apesar dos esforços da organização da festa para torná-la um ambiente voltado à família, as mulheres sofrem todo o tipo de ofensas durante o mês de outubro. Ela explica que já se sentiu abusada e ofendida com a maneira que os homens a tratam durante a Oktober. “Eles acabam extrapolando, pensando que a gente está aberta ao que eles querem. Então, muitas vezes, nos chamam por nomes que não gostamos ou passam a mão em lugares que a gente não gostaria”, relata Tamíris.

A rainha explica que nem é preciso estar desfilando ou andando pelos pavilhões da Vila Germânica com a roupa de realeza. As ofensas – disfarçadas de cantadas – são frequentes. Por isso, há um esforço para transformar a Oktoberfest em uma festa familiar. “A gente não quer uma grande quantidade de pessoas, se elas não forem legais”, comenta Tamíris. O objetivo é trazer turistas que realmente queiram aproveitar a música, a gastronomia e os desfiles, sem ofender ninguém.

A lanchonete Tunga é um dos pontos mais movimentados durante os desfiles
A opinião da princesa da Oktoberfest 2015, Malú de Oliveira, é um pouco diferente. Ela comenta que, durante os desfiles, elas são bem menos assediadas do que dentro dos pavilhões. Malú diz que nos últimos anos, percebeu que o abuso diminuiu e que agora, é mais difícil alguém parar, puxar ou passar a mão nas mulheres. “Se você não dá bola e vira a cara, eles respeitam”, comenta.

Mas as coisas não são assim tão simples. Muitas blumenauenses sofrem com cantadas desrespeitosas – não somente em período de Oktoberfest, mas durante todo o ano. O assédio não é mais nenhuma novidade para elas, mas nem por isso ele será aceito de braços abertos. Este é o recado que as mulheres querem dar à festa mais alemã das Américas.

  8

Cucawagen torna o desfile da Oktoberfest mais doce

Por Aline Christina Brehmer e Francieli Corrêa

Meses de treinamento, dedicação, criatividade e animação são os ingredientes que resultam no típico e aclamado desfile da Oktoberfest, uma das principais atrações da festa há 32 anos. Trazer alegria para a vida do público é consequência – a verdadeira missão está em resgatar os valores da cultura alemã, tão forte no município e tão característica do evento. Quem pensa que é uma tarefa fácil se engana. Neste ano, o desfile recebeu e teve aceito por seu fiel público um novo grupo: o Cucawagen

Oktober - Aline e Fran (1)

Trajados de azul, a equipe é também conhecida como ‘Carro da Cuca’ – visto que o veículo está recheado de cuca, até mesmo no telhado. O líder do grupo, Michel Schmitt, explica que não foi fácil encontrar um tema e, mesmo após terem a ideia, o desafio em trabalha-la e torna-la atrativa foi grande. “Nosso primeiro tema foi a música, mas como ele já estava sendo trabalhado decidimos focar na gastronomia. Fizemos uma pesquisa para saber o que estava faltando no desfile, e percebemos que há um doce presente nos cafés de praticamente todos os alemães: a cuca. A partir disso, começamos a bolar todo o restante – trajes, alegoria, carro e os demais itens necessários”, relembra.

A iniciativa de participar partiu de Schmitt que, quando viu no início deste ano que a Prefeitura Municipal de Blumenau lançou um edital convocando duas novas atrações, não pensou suas vezes em juntar as pessoas interessadas para formar o grupo – composto por pessoas apaixonadas pela cultura alemã e pela tradição da festa, o que garantiu o sucesso da equipe, composta por 40 integrantes, nos seis desfiles realizados neste ano nas quartas-feiras e aos sábados.



Schmitt comenta no áudio acima que já desfilava em outros grupos nos anos anteriores e sempre sentiu muita satisfação em estar na rua XV, participando de toda a celebração e alegria que a Oktoberfest proporciona a seus espectadores. Ele comenta que nem mesmo o grupo esperava tamanha repercussão. ‘O Cucawagen ficou muito conhecido e foi aplaudido. Para nós foi uma imensa satisfação, prova de que todo trabalho realizado vale muito a pena. Colhemos os frutos”, ressalta.
Questionado sobre o motivo pelo qual a palavra ‘Cuca’ não foi traduzida para o alemão, ele explica que a ideia foi debatida, mas, como a palavra “Blechkuchen” não é de conhecimento geral dos blumenauenses, houve receio de que o tema não fosse imediata e claramente compreendido – o que afetaria negativamente tanto o trabalho desenvolvido quanto a missão de resgatar os valores.

Devido às recorrentes chuvas no mês de outubro, o desfile do dia 21 ocorreu dentro dos pavilhões da Vila Germânica – entretanto, nada afetou o ânimo dos participantes que, novamente, fizeram seu desfile de forma impecável e arrancando ainda mais elogios e admiração do público. No total, 96 grupos desfilaram neste ano pela festa – cada qual com seu tema. Em meio a tantas atrações, o sucesso alcançado é motivo de sobra para que o grupo comemore seu primeiro ano de desfile. No que diz respeito a quanto tempo o Cucawagen continua participando dos desfiles da Oktober, Schmitt explica que o contrato feito tem duração de cinco anos, dependendo do trabalho realizado pelo grupo nos próximos cinco desfiles. Entretanto, a primeira experiência que tiveram em 2015 é incentivo o suficiente para que, a cada ano, o grupo traga ainda mais novidades, cor, sabor e alegria para a festa mais alemã das Américas.

Mundos distintos: As dificuldades das antigas gerações em acompanhar a evolução da tecnologia

Por Thomas Madrigano

Mesmo para uma pessoa acostumada aos mais modernos aparelhos eletrônicos, não é simples acompanhar o desenvolvimento tecnológico, tamanha a velocidade com que ele se dá e invade nosso dia a dia. Imaginemos, então, como é complicado para pessoas de outras gerações se entenderem com essas ferramentas da modernidade. Num mundo cada vez mais artificial, para o bem e para o mal, há muita gente com dificuldades de se inserir nele.

Minha vó alegava ter sido a primeira pessoa a ter controle remoto em sua cidade natal. A tecnologia que dona Elza e seu Orlando, meu vô, desenvolveram era à base de barbante. Amarrava-se o barbante no cabo da televisão e quando se quisesse desligá-la bastava um simples puxão para desconectá-la da tomada.

Os dois mal podiam prever que alguns anos mais tarde seria possível desligar televisões usando o relógio. O que dizer da possibilidade de conversar em tempo real com outras pessoas sem precisar usar o telefone, e de modo muito mais prático? Tudo isso seria loucura imaginar. E esses são apenas alguns avanços. A inovação tecnológica vai muito além disso. Neste exato momento, alguém está criando algo novo.

Pois bem, cito minha vó porque pude conviver muito tempo com ela, e assistir in loco suas surpresas, dificuldades e revoltas com a tecnologia. Lembro-me quando ela comprou seu primeiro celular: existia certa antipatia entre ela e o aparelho. Ela olhava com desdém para o celular, como se fosse uma frescura das novas gerações, e fazia de tudo para não usá-lo. Quando precisava atender a alguma ligação, ela o fazia qual uma criança que, contrariada, acata os conselhos do pai depois de todas as suas tentativas darem errado.  

Depois vieram outras novidades - e quase todas com nomes em inglês -, Facebook, WhatsApp, SoundCloud, Twitter, algo muito distante do cotidiano de minha vó. Nascida no início do século passado, e tendo passado grande parte de sua vida no interior de Minas Gerais, a realidade que conhecia era outra: barulho do rio, os diversos animais que viviam na fazenda de seu pai, muita vegetação, fogão à lenha, família reunida para cozinhar e contar histórias.

Lembro-me de passar horas a fio sentado ouvindo-a contar “causos” divertidos de sua infância e juventude. Esses momentos eram mágicos e me transportavam para um mundo do qual eu não fazia parte. Assim como as tecnologias que ela via com os próprios olhos de certa forma a lembravam de que aquele mundo que ela conheceu não mais existia. E todos nós ainda passaremos por isso. Chegará um dia em que nos sentiremos como o estrangeiro, de Albert Camus. Tudo parecerá alheio a nós. A única coisa que iremos querer será reunir a família e contar histórias do nosso passado, e, assim, por algum instante, vivenciar tudo aquilo de novo.

Inimigo oculto: Os perigos do universo on-line

Por Thomas Madrigano

É fato que nas últimas duas décadas os avanços tecnológicos revolucionaram o comportamento social das pessoas. A possibilidade do anonimato e a proteção do “mundo virtual” transformaram a internet em um lugar sem lei. Com o advento das redes sociais e o surgimento de hordas de pessoas capazes de serem ao mesmo tempo emissoras e receptoras, o relacionamento virtual invadiu um espaço nunca antes explorado.

Ofensas e ameaças tonaram-se banais. Todos ainda estavam se adaptando a essa nova realidade. A internet parecia, a um primeiro momento, uma espécie de video-game. Aquilo não era vida real, portanto não exigia o mesmo comportamento que se tem nas ruas com pessoas de verdade. Era um campo onde todos poderiam extrapolar, e virarem personagens de si mesmos.

Com o passar do tempo, as leis foram sendo aplicadas ao universo on-line, criando regras e jurisprudência que, pouco a pouco, moldavam o comportamento na internet e indicavam uma nova era do mundo virtual. Ainda assim, há muita gente que continua encarando as redes sociais como um local onde tudo se pode.

Os hackers desde o começo da internet encontraram aí a possibilidade de usarem seus conhecimentos para obter algum tipo de vantagem, ou mesmo atazanar e constranger pessoas. Frequentemente, vemos casos de pessoas que desviam centavos de contas alheias para uma conta própria. Devido ao baixo valor, o cliente lesado nem desconfia de que foi roubado, e o criminoso consegue acumular uma fortuna.

Caso conhecido foi o de um americano que roubava valores baixos de empresas como o Google e o PayPal. Ele se aproveitava de serviços como o E-trade e Schwab, que, para verificar a existência de uma conta, depositava alguns centavos nela. O hacker conseguiu abrir 58 mil contas e coletou o dinheiro utilizando um registro bancário feito com uma identidade falsa.

Tudo isso nos leva a pensar que tanta tecnologia nos torna mais vulneráveis, porque as pessoas que querem nos prejudicar nem sempre estão visíveis. Portanto, é preciso cuidado redobrado no universo on-line.

Prejuízos da superexposição on-line


Por Flávia Amâncio

Desde o início dos anos 2000, o acesso a diversos tipos de conteúdo por qualquer pessoa se tornou algo simples. No entanto, esse novo meio de comunicação não trouxe consigo um manual com instruções de boas maneiras, uma “etiqueta virtual”. Como consequência, milhares de usuários expõem-se diariamente de forma irrestrita.

Nesse contexto de superexposição, o fator da vaidade se sobressai nas redes sociais. Lá, o que se diz, ouve e mostra passa a ser a representação da figura de uma pessoa. Empresas procuram informações – profissionais e pessoais – de seus funcionários em redes sociais e algumas delas até possuem em seu Código de Conduta como o empregado deve se portar no ambiente on-line.

Por isso, há de se tomar maior cuidado com o que se associa ao seu próprio nome na internet; inclusive por motivos legais. A Justiça, nos últimos tempos, tem aceitado como provas publicações do meio on-line, principalmente das redes sociais.

Como é o caso apurado em junho deste ano pelo INSS, de uma segurada que recebia auxílio-doença por depressão grave e publicava fotos dos passeios que fazia no Facebook. O agravante é que as imagens eram acompanhadas por frases como “se sentindo animada” ou ”não estou me aguentando de tanta felicidade”. Resultado: o benefício foi cortado.

O uso indevido da imagem também se tornou uma situação corriqueira. O aumento da exposição no mundo virtual aliado à falta de privacidade, fez com que algumas plataformas se adequassem a esse problema, incluindo a possibilidade de restrição do conteúdo publicado. Um exemplo é o referido Facebook, que atualmente possui opções para que o usuário oculte suas publicações ou mostre-as apenas a pessoas específicas.

Numa busca rápida no Google é possível filtrar diversas informações sobre uma pessoa. E quanto mais dados se reúnem sobre alguém, maior seu grau de exposição e, consequentemente, menor o grau de privacidade. Por isso, na rede mundial de computadores é preciso estar atento e ser consciente, pois há aspectos da vida privada que não devem se tornar públicos.

As novas gerações e a relação entre a vida virtual e a real

Por Flávia Amâncio          
      
Quando eu era criança brincava de soltar pipa com meus irmãos, de esconde-esconde com meus vizinhos, de balanço no parque próximo da minha casa. Estou falando sobre brincar ao ar livre, interagir com pessoas, trocar não só palavras mas olhares, contatos, sorrisos. Essas são experiências que muitos jovens nascidos na geração Z pouco desfrutaram, e que as crianças da Alpha dificilmente conhecerão.

A violência e o volume de ocorrências policiais hoje são muito mais significativos do que na infância dos meus avós ou meus pais. Naquele tempo, não havia tanto temor em deixar os filhos correndo por aí, nem havia tanta tecnologia para manter os pequenos entretidos dentro de casa.

As crianças da atualidade nascem conectadas: jogos on-line, videogames, tablets infantis, smartphones kids. Tudo é feito pensando nessa nova geração que cada vez mais procura uma telinha touchscreen para brincar. Porém, essa conectividade com tudo e todos se tornou uma faca de dois gumes. A internet afastou muitas pessoas da relação empírica com as coisas, das experiências reais.

Diferentemente dos nossos antepassados recentes, que procuravam diversos caminhos para chegar ao conhecimento – livros, vivências, mestres –, o desafio dos “hiperconectados” em relação ao saber começa por filtrar o que é relevante para si levando em consideração tudo o que já foi visto, dito e criado. E com a quantidade de conteúdos disponíveis na rede mundial de computares, é muito fácil se perder numa enorme teia de informações.

Por isso, hoje, o grande paradoxo dos nascidos na geração X, como eu, e das demais a frente (Y e Alfa), é a de alcançar a harmonia entre o mundo real e o virtual para que os benefícios da rápida ascensão da tecnologia sejam usufruídos sem que se percam os saberes antigos e, por vezes, os mais simples, como valorizar uma boa conversa à mesa ou folhear as páginas de um livro.

segunda-feira, outubro 19, 2015

Crimes virtuais, conhece?

Por Alexandre Aicardi

Em plena era digital, as fronteiras são imperceptíveis e o mundo não funciona sem uma boa conexão. Utilizado como meio de comunicação e interação, os avanços tecnológicos, a cada dia, possibilitam uma maior facilidade para acessar a Internet e as redes sociais.

Atos ilícitos como ofender, denegrir, abusar psicológica ou fisicamente. Contra uma pessoa ou bens materiais e imateriais, contra instituições como bancos ou governos, ou ao individuo, como o roubo; tudo está na rede. A ilusão do anonimato diante do computador traz uma falsa segurança de impunidade aos criminosos.

Mesmo em redes sociais, comentários podem ser crimes, como o preconceito, o racismo e o ódio.

Desde 1999 o congresso nacional debate regras para o ciberespaço, mas só com a Lei Carolina Dieckmann, criada em 2012, a regulamentação teve início.

Com falhas e sem eficácia, a lei leva o nome da atriz devido ao fato ocorrido em maio de 2011, onde Carolina teve fotos íntimas copiadas de seu computador e divulgadas na Internet sem sua permissão ou conhecimento.

Tratado em regime de urgência constitucional, depois de sacudido pelos escândalos de espionagem, com o governo norte americano envolvido, o Marco Civil da Internet, aprovado em 2014, garantiu o combate e a repressão aos crimes virtuais, ao estabelecer direitos, deveres e garantias para provedores, usuários e empresas.

No ano passado, a polícia federal desarticulou uma quadrilha, suspeita de desviar pela internet mais de R$ 2 bilhões de correntistas de vários bancos. Motivo que criou a  CPI dos Crimes Cibernéticos, que conta com um canal de denúncias para toda a população.

Delegacias especializadas em crimes cibernéticos já existem em onze estados do país. Em Santa Catarina, policiais civis buscam aperfeiçoamento e compartilham informações para seguirem os novos tempos.

quarta-feira, outubro 07, 2015

Quando os pais pedem ajuda aos filhos


Por Débora Ramos

Acredito que este conflito de gerações é assunto batido para muitos, mas que ao mesmo tempo vira pauta em muitas rodas de conversas, pelo simples fato de convivermos com pessoas de diferentes idades, e querendo ou não estas diferenças sempre existirão.

Um exemplo disso é ver nossos pais, ou avós tentando ingressar neste mundo das redes sociais. Um destes conflitos se iniciou quando a minha mãe resolveu criar uma conta no Facebook, e conversar com todos da família pelo WhatsApp. Ela ainda pensa em criar uma conta no Instagram, mas por enquanto acha que é algo inútil.

Confesso que não tive muita paciência para explicar como funcionava cada uma dessas redes, afinal, a maioria das coisas que sei sobre elas aprendi durante anos. Mas neste aspecto precisei ser paciente. Depois de já estar “preparada” para utilizar as redes sociais, minha mãe achou que estava na hora de fazer sua primeira compra online, sem pedir ajuda para ninguém que fosse mais experiente que ela. E acabou caindo em um golpe, onde ela depositou o dinheiro na conta do vendedor do produto, mas nunca recebeu a mercadoria.

Acredito que esta situação aconteceu com diversas pessoas, de diversas idades e que de alguma forma todos aprenderam que a internet é algo complicado de se lidar, e não falo somente sobre comprar algo online, existe a questão da privacidade também, o que pode levar a um caminho bem mais complicado de se voltar. Acredito que este é um ótimo exemplo de como a tecnologia evolui, mas traz consigo alguns problemas que os mais jovens, da geração Y, como eu, tentam de alguma forma fazer com que estes empecilhos, para os mais velhos seja algo simples de se solucionar.

Marcadores: geração

A tecnologia a favor dos criminosos

Por Bruna de Miranda

Sites que promovem divulgação de materiais pornográficos, (como fotos e vídeos que contenham conteúdo sexual) existem a tempo, porém essas páginas sempre dão a quem as acessa, a possibilidade de filtrar o conteúdo que deseja-se ver. Temos como exemplo o site de entretenimento Tumblr.com, onde os usuários criam perfis pessoais onde divulgam o aquilo que desejarem, além de acompanhar somente o conteúdo e perfis que escolherem.

Atualmente, com a utilização de smartphones, as redes sociais só vêm crescendo. Aplicativos como o whatsapp e o snapchat, onde os usuários podem compartilhar fotos e vídeos, acabam tornando-se uma arma na mão das pessoas erradas.

A maior rede social de sexo do Brasil, possui aproximadamente 5 milhões de usuários cadastrados, os quais compartilham milhares de fotos e vídeos caseiros com conteúdo pornográfico por dia. Os aplicativos de smartphones acabam por disseminar essa ideia de compartilhar fotos nuas, apelidadas pelos usuários de nudes.

Os índices são altos e só crescem: cerca de 57% dos crimes sexuais do mundo tem algum envolvimento da internet. A cada 40 minutos ocorre um crime relacionado ao Facebook, entre eles estupros e crimes sexuais, assaltos, sequestros, ameaças de morte, difamação e assassinatos.
Em 2012 entrou em vigor a Lei 12.737, que protege vítimas de invasão de privacidade. Batizada de Carolina Dieckmann, a legislação considera crime o roubo de dados de cartões de débito e crédito e a invasão de aparelhos eletrônicos.

As penas podem variar de três meses a dois anos de prisão, mais multa. Além disso, a punição pode ser maior caso o crime seja cometido contra políticos ou se resultar em prejuízo financeiro. A legislação prevê também cumprimento de pena a hackers. Qualquer pessoa que tiver sua privacidade invadida precisa prestar queixa imediatamente.

SaferNet ajuda pessoas que tiveram fotos íntimas publicadas na internet

Por Tatiane Signorelli

Não é raro vermos notícias onde pessoas tiveram suas fotos íntimas vazadas na internet, seja com pessoas comuns e até mesmo com famosos, como o caso que aconteceu na semana passada com o ator Stênio Garcia e sua esposa, Marilene Saade.

De acordo com dados do jornal O Estado de São Paulo, nos últimos dois anos o número de vítimas de fotos vazadas na internet foi de 48 para 224. O vazamento dos famosos “nudes” atinge principalmente mulheres e cada quatro vítimas, uma delas é menor de idade.

Os motivos de isso acontecer são os mais diversos, os mais comuns são fotos enviadas para o parceiro ou parceira que repassou para terceiros. Ou também invasão em aparelhos eletrônicos, como aconteceu com Carolina Dieckmann em 2012. E levou a criação da lei 12.737 nomeada como “Lei Carolina Dieckmann”, entrou em vigor no ano de 2013, que torna crime a invasão de aparelhos eletrônicos para obtenção de dados particulares.

Muita gente ainda não sabe, mas existem ONGs e instituições que ajudam a orientar essas pessoas que tiveram suas fotos íntimas compartilhadas na internet. Um deles é o SaferNet, um site sem fins lucrativos que atua no Brasil inteiro. O portal possui serviços que ajudam as pessoas que sofreram crimes e violações dos Direitos Humanos na internet.

Segundo dados do próprio site, em oito anos de atuação o SaferNet recebeu 3.606.419 denúncias anônimas de imagens íntimas circulando na internet. Também conseguiu ajudar cerca 9.577 pessoas em 24 estados brasileiros.

O canal mantém o compromisso de manter sigilo com todas as informações fornecidas pelos usuários, apenas os psicólogos responsáveis pelo caso têm acesso aos dados repassados das vítimas. Apenas em casos confirmados de violência contra crianças é repassado para autoridades avaliarem e também ao Estatuto da Criança e do Adolescente.

quinta-feira, outubro 01, 2015

Quando as brincadeiras passam dos limites

Por Pâmela Consenso

Recentemente, o ator Stênio Garcia teve suas fotos íntimas com a mulher vazadas na internet. O fato nos alerta para um assunto muito importante: o crime cibernético. Em dois anos, o número de vítimas de vazamento de fotos quadruplicou no Brasil. No ano passado, 224 pessoas procuraram o serviço de ajuda da SaferNet, organização de defesa de direitos humanos na web, para denunciar o crime online conhecido como "revenge porn" - pornografia de vingança. Já em 2012, 48 casos haviam sido registrados pela entidade.

No entanto, a divulgação sem autorização dos conhecidos “nudes” pode gerar problemas bem maiores do que um simples constrangimento. O crime, que atinge em sua maioria mulheres, afeta profundamente o psicológico da vítima, que é culpabilizada por ter enviado ou mesmo tirado as fotos. Mas o que deve ficar claro é que o culpado é sempre quem divulga as imagens, e não quem as enviou. E com tantos julgamentos, em alguns casos, o suicídio se torna a única maneira de escapar de todo aquele transtorno.

O estudante Ricardo* conta que antigamente o hábito de enviar fotos íntimas era quase que diário. No entanto, só mandava as fotos se recebesse também. E nunca mostrava o rosto. “Em casos de vídeos, nunca falava nada também. Evitava sempre emitir qualquer tipo de som”, conta.  A troca de nudes, para ele, é algo mais ligado com a curiosidade de saber como é o corpo da pessoa com quem está em contato. Atualmente, por ter uma vida mais corrida, não costuma trocar fotos com tanta frequência e se indigna com as pessoas que divulgam a intimidade alheia.  “Não acho que raiva ou brigas sejam motivos reais pra vazar a foto de alguém que confiou na pessoa x. Eu de fato gostaria que mesmo que já existam algumas leis, existissem algumas mais rígidas ainda pra esses casos, porque é o tipo de coisa que pode acabar com a vida de outra pessoa” argumenta.

Rafael* é totalmente adepto da troca de nudes. Mas só manda se a outra pessoa mandar primeiro e se já estiver tendo uma conversa antes. E, como todos os amantes das fotos íntimas, também preserva sua identidade não mostrando o rosto. “As fotos são uma boa forma de se sentir com a pessoa desejada, mas sentiria muita vergonha se um dia minhas fotos vazassem e descobrissem que a pessoa das imagens sou eu”, explica.

Qualquer pessoa que esteja conectada ao mundo online está exposta aos perigos de um crime cibernético. Mas o que fazer quando se tem a intimidade exposta na internet? Além de solicitar a remoção aos sites em que o conteúdo está alojado, é possível usar a lei a seu favor, já que qualquer forma de exibição não autorizada de alguma pessoa é considerada crime e pode ser combatida na justiça. Não compartilhar esse tipo de conteúdo já é uma boa maneira de ajudar a
combater a viralização do conteúdo ilegal. É importante lembrar de que você não gostaria de estar no lugar de quem está sendo ridicularizado, por isso não esteja também do lado do ofensor.

*Os nomes foram alterados para preservar a identidade dos envolvidos.

quarta-feira, setembro 30, 2015

O discurso do ódio contra nordestinos durante a eleição de 2014

Por Francieli Corrêa

A eleição de 2014 ficou marcada na história dos brasileiros pelas manifestações preconceituosas que invadiram as redes sociais, principalmente após o resultado do segundo turno, que apontou a reeleição de Dilma Rousseff para a presidência do Brasil. Em poucos minutos, mensagens em forma de texto e imagens começam a ser postadas e compartilhadas nas mais diversas ferramentas da internet. Uma nova palavra caiu no conhecimento popular do país: a xenofobia. Muitos, até então, nunca haviam ouvido essa expressão que, de um momento para o outro passaram a vê-la em várias notícias que retratavam esse episódio social do momento.

Devido, também, ao grande número de candidatos e as suas variadas visões sociais e religiosas, as páginas da web foram utilizadas por eleitores para as mais diversas formas de preconceito como o racismo, homofobia, intolerância religiosa e xenofobia. Esta última, como já foi dito, se destacou com o resultado que apontava 51,64% dos votos a favor da presidente Dilma. Ao passo em que se desenhou o mapa da eleição nos canais da televisão mostrando a preferência obtida pela candidata eleita, principalmente na região Norte e Nordeste, mensagens como “O Sul é meu país” e "#EuvoteiAécio45" passaram a ser os termos mais usados nas redes sociais.

Paralelo a isso uma enxurrada de comentários preconceituosos tomou conta das telas dos computadores. Mais de 300 páginas foram criadas após a reeleição para promover e o ódio contra nordestinos e nortistas. Mensagens como “Dá vontade de ir para a África, pegar e ebola e viajar pro Nordeste, pelo menos seria um herói nacional. ” e “Odeio o Nordeste” resultaram em respostas que defendendo os nordestinos e repudiando as mensagens ofensivas, mas também, resultou em outras mensagens rebatendo os xingamentos com outros insultos ao moradores do Sul do país.

A discussão em redes sócias sobre os resultados da eleição fez aumentar em 84% no número de denúncias de crime de ódio cometidos na web, além de fazer aflorar o desconforto social entre as regiões do país. Os dois candidatos que concorreram no segundo turno (Dilma Rousseff e Aécio Neves) repudiaram o os insultos e pediram a união dos brasileiros.

No Brasil são considerados crimes o discurso do ódio e a descriminação em relação a origem. A lei 7.716 traz artigos que definem esses crimes e suas punições. As vítimas de crimes cometidos através da internet têm uma outra ferramenta para auxilia-las, é A Central Nacional de Denúncia de Crimes Cibernéticos, que recebe e dá orientações sobre qualquer tipo de crime sofrida na web.

Internet: Terra de ninguém ou não?

Por Janaína Proença

Há cada ano que passa, novos tipos de aparelhos tecnológicos surgem. E eles vem com tudo, visando facilitar o nosso dia a dia e aproximar cada vez mais as pessoas umas das outras. Com a utilização da internet, as fronteiras geográficas já não são mais um problema quando o assunto é se comunicar. Atualmente fotos e vídeos podem ser facilmente compartilhados em redes sociais como o Whatsapp, Instagram, Facebook e outros. E se por acaso você conhecer um lugar muito legal, simplesmente se pode fazer um Check-in  para que seus amigos fiquem por dentro do que está acontecendo. Mas e a privacidade, onde fica?

É claro que todos têm o direito de postar o que quiser, e onde quiser. Isso é assegurado pela Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014. Conhecida como o Marco Civil da Internet, ela garante proteção aos usuários e penalidades aos que divulgam conteúdos pessoais sem a autorização da referida pessoa. Mas mesmo com a lei a favor do usuário, existem pessoas que utilizam as redes sociais com má fé, e não é preciso ir muito longe para verificar essa situação.

Aqui mesmo na região do Vale do Itajaí conseguimos presenciar histórias onde a internet é usada para atingir alguma pessoa. Um caso recente é de um menino que na época tinha apenas nove anos, morador da cidade de Ilhota. Ele foi sequestrado em 2014 e os bandidos alegaram que o crime foi planejado com base no Facebook da família. Outro caso, um tanto mais grave, foi registrado ainda na época do falecido Orkut, onde uma menina de mais ou menos 15 anos teve um vídeo intimo divulgado na internet. O caso não foi muito divulgado pela mídia local, mas abalou muito os familiares e amigos da vítima, que foi hostilizada por algumas pessoas.

Sem contar os casos de Cyberbullying, que acontecem online e muitas vezes são proferidos por contas falsas na rede, podendo causar um impacto psicológico muito grande nas vítimas. Enquanto um cidadão que sofre Bullying na escola por exemplo, consegue voltar para a família e tentar esquecer o ocorrido, no mundo virtual a ofensa se espalha com uma maior rapidez, o que pode causar um impacto maior na vida da pessoa.

As conquistas dos direitos, reafirmadas pelo Marco Civil da Internet, demonstram o quando o apelo popular também pode ser eficiente na hora de cobrar as medidas cabíveis aos crimes que são cometidos na rede. O debate para que a sociedade fique a par dos limites que lhes são impostos é importante, principalmente para que se possa utilizar esse benefício com sabedoria. Hoje, a
internet não é mais terra de ninguém, como dizia o ditado.

Pregar discurso de ódio na internet não é exercer a liberdade de expressão

Por Carolina Ignaczuk


A internet não é uma terra sem lei, mas muitas pessoas parecem pensar o contrário. Desde a ascensão das redes sociais, como o Facebook, ficou cada vez mais comum nos depararmos com discursos preconceituosos pela web. Só em 2014, a ONG Safernet recebeu aproximadamente 104 mil denúncias de crimes de ódio, que foram repassadas para a Polícia Federal e ao Ministério Público. O problema é que apenas 2.400 sites com conteúdos ofensivos foram retirados do ar.

No mundo virtual, infelizmente os insultos se tornaram comuns. Os usuários acreditam que são protegidos pelo seu direito à liberdade de expressão, por isso, atacam pessoas de outras culturas, gêneros, raças ou opções sexuais diferentes das deles. Prova disso é uma pesquisa recente realizada pela Comissão de Banda Larga da Onu, que relatou que 73% das mulheres já sofreram algum tipo de violência online em todo o mundo. As maiores vítimas dessas perseguições, são jovens de 18 a 24 anos, que são ameaçadas e assediadas pela web.

O relatório também apontou que entre os 86 países investigados, apenas 26% tomam medidas judiciais adequadas. Isso quer dizer que uma entre cinco usuárias moram em regiões onde os assediadores não recebem nenhuma punição pelos seus atos. No Brasil, o Governo Federal criou o “Humaniza Redes” – um Pacto Nacional de Enfrentamento às Violações de Direitos Humanos na internet. O site tem como objetivo garantir a segurança dos internautas e enfrentar as violações dos direitos humanos que acontecem na web.

Ameaças pelas redes sociais

A receita para sofrer algum assédio em redes sociais é simples: basta estar em qualquer uma delas. Participo de diversos grupos feministas no Facebook, um movimento social que é constantemente atacado na internet. O ódio é tanto, que os chamados haters criam páginas machistas, que chegam a fazer apologia ao estupro. Muitos deles também fazem perfis falsos, com o intuito de atacar grupos e pessoas que têm o feminismo como ideologia.

Recentemente, vários jovens invadiram um dos grupos feministas que participo no Facebook. Eles publicaram uma série de imagens de estupro e dispararam vários ataques racistas e machistas às meninas que pediam que eles se retirassem. Os xingamentos iam de “vagabunda” a “macaca”, extremamente ofensivos e alguns até humilhantes. Bastasse que alguém tentasse se defender, que os ofensores diziam “mas você é feia mesmo, ninguém vai querer te estuprar”.

Para tentar acalmar a situação, pedi educadamente que eles nos deixassem em paz, mas ninguém me deu atenção. Como resposta, os jovens publicaram fotos minhas dizendo “Carol, nós vamos te estuprar” e até mesmo “vou te engravidar e depois te deixar sozinha criando o filho”. Não respondi os comentários e até mesmo tirei prints da tela. Várias mulheres que foram vítimas desses ataques se organizaram e denunciamos todos eles à Polícia Federal, mas até o momento, nada foi feito. Os agressores foram excluídos do grupo, mas não foram punidos adequadamente.

Liberdade de expressão tem limite

Liberdade de expressão não é utilizar palavras discriminatórias ou que possam incitar a violência – o nome disso é discurso de ódio. A pessoa que emitiu a opinião deve responder pelas consequências de seus atos e quem foi vítima de algum crime na internet, precisa procurar as autoridades responsáveis. O mundo virtual não é uma terra sem lei e falar o que se quer, certamente não é exercer o direito de se expressar.

Crimes na internet em Santa Catarina

Por Sabrina Santos da Silva

Os crimes na internet estão cada vez mais frequentes, podemos levar em consideração esse aumento ao maior acesso e comunicação online. O número de vítimas de compartilhamento de fotos íntimas conhecidos como "nude selfie" e "sexting", em sites e aplicativos de celulares, como o WhatsApp dobrou nos últimos dois anos no país.

Em Blumenau este crime é frequente há muito tempo. Uma das primeiras situações que eu presenciei deste crime foi o vídeo da menina da escola Barão, recebi o vídeo intimo pela internet e me perguntei, como isso? Fiquei assustada, mas como isso está acontecendo? Não tardou muito para a cidade inteira receber este vídeo e compartilhar o que na época ocasionou muita discussão sobre o acesso fácil a internet. 

Outra situação em que acompanhei de perto foi o vídeo da moça da “Feijoada do Riska Faca” novamente me deparei com o mesmo crime, vídeos íntimos divulgados na internet. Mas desta vez a divulgação foi ainda maior, e mais rápida devido a chegada do WhatsApp e com isso pude perceber que quanto mais meios de comunicação online mais rápido o crime se desloca. 

Delitos virtuais não envolvem somente divulgação de vídeos ou fotos intimas. Em 2013, Florianópolis foi o centro das atenções devido as tentativas de invasão ao sistema de gerenciamento da prefeitura por pessoas desconhecidas. Além deste tipo de crime também temos um exemplo que aconteceu em Joinville e ganhou repercussão nacional. Um homem publicou no Facebook a conversa em que sua namorada marcava encontro com um professor.

O que fazer se você for vítima de um crime da internet

Desconecte o cabo da rede e do telefone do seu computador. Isso pode evitar que o agressor receba seus dados.

Faça a verificação do seu computador com um programa antivírus atualizado.

Feche imediatamente as suas páginas, e-mails contas entre outras páginas pessoais para evitar maiores danos.

Altere suas senhas de acessos imediatamente. 

Registre um boletim de ocorrência com a polícia em uma delegacia ou online

Perigos do sexting

Por Aline Christina Brehmer

Há sete anos Luciana* viu sua vida mudar de um dia para o outro. Morando em uma cidade pequena, ela nunca imaginou que passaria por uma situação tão constrangedora. Confirnado sem restrições e querendo satisfazer seu namorado, ela encaminhou a ele fotos nuas e em poses comprometedoras e ocorreu o temido sexting. Isso aconteceu em 2008, quando ela tinha apenas 16 anos. O vazamento ocorreu um pouco depois do fim do relacionamento, quando as fotografias foram compartilhadas por e-mail. Passados tantos anos e já em um novo relacionamento, ela não imaginou que teria que reviver a humilhação, porém, estava enganada.

Em fevereiro deste ano as mesmas fotos voltaram à tona e desta vez com ainda mais força, devido a rápida proliferação que o material obteve através do WhatsApp. As imagens chegaram até grupos de conversa do seu pai, que, assim como o restante de sua família, precisou se desligar temporariamente das redes sociais para evitar comentários maldosos e desnecessários. Como Timbó é uma cidade pequena, foi fácil perceber que todos os olhares eram voltados à ela com reprovação e fortes críticas.

Seu ex-namorado Igor* disse que não tinha nenhum envolvimento desta vez, e que, provavelmente, algum de seus antigos amigos que tinham as fotos decidiu republicá-las. Luciana não sabia como reagir mas obteve apoio familiar e também do novo namorado – para o qual já havia contado toda a história de 2008 logo no início do relacionamento.

Algo que abafou um pouco as fotos de Luciana foi o fato de que, na mesma época, fotografias de outras sete mulheres de cidades da região começaram a ser compartilhadas pelo WhatsApp – ou seja, apesar de ser um escândalo por se tratar de cidade pequena, foi algo passageiro devido a quase rotina de novas fotos que eram recebidas toda semana. Uma destas mulheres inclusive perdeu emprego, não por não aguentar os olhares desconfiados que recebia no trabalho, mas porque seu chefe não conseguiu aceitar o que havia acontecido.

Ainda na mesma época deste ano, um timboense de 23 anos compartilhou um vídeo caseiro que fez sozinho no chuveiro. Ele recebeu fortes críticas e inclusive castigo do pai, mas nem de longe as repercussões foram tão grandes quanto as das fotos de Luciana. Para ter uma ideia, mesmo o vídeo tendo sido encaminhado para uma ‘ficante’, sua atual namorada perdoou a traição e seguiu firme com o relacionamento, deixando a história no passado. Se fosse a situação contrária, as chances de isso acontecer seriam mínimas.

Um levantamento feito pela ONG Safernet – que há oito anos tem um serviço de denúncias online – aponta que em 2014 o número de registros dos casos de sexting aumentou 120% em relação a 2013. No ano passado foram 224 casos registrados, enquanto em 2013 o número não passou de 101 casos.

O sexting é praticado com frequência. Fotos íntimas e vídeos caseiros são compartilhados quase todas as semanas, geralmente, quando o relacionamento termina e os rapazes ou homens decidem ‘se vingar’ – às vezes fazendo uso de um material que suas ex-companheiras nem faziam ideia que existiam. O ato provoca um baque enorme em toda a família, principalmente nos pais que, conservadores, não conseguem lidar com a situação e sofrem junto com suas filhas. O conselho para combater o sexting é que as garotas tenham sempre um pé atrás antes de enviarem fotos ou aceitarem participar de qualquer atividade sexual que seja registrada, afinal, nem todas conseguem arranjar forças para superar a possível humilhação que vão correr no futuro. É importante não esquecer que a exposição de fotos íntimas é crime e deve ser denunciada.

* Os nomes nesta matéria foram alterados para preservar a identidade dos envolvidos.

Brasileiros na TV por assinatura

Por Ana Claudia

Em 2011 foi sancionada a lei conhecida como Lei da TV Paga, que vem mudando o cenário da TV por assinatura no Brasil. Ela determina que sejam exibidas três horas e meia por semana de programação nacional e consequentemente quadruplicou a veiculação de conteúdos brasileiros entre 2011 e 2014, de acordo com a Agência Nacional do Cinema (Ancine). Há quatro anos atrás percebíamos que a TV era um mercado cheio de produções norte-americanas. Nos dias atuais quando ligamos a televisão notamos mais conteúdos brasileiros.

Com o aumento da produção e da demanda, os canais firmaram parcerias com produtoras de audiovisual, como a AXN que estreou a série Santo Forte. A série é protagonizada pelo ator Vinicius de Oliveira e mostra 13 episódios com uma hora cada. O vice-presidente do grupo Sony no Brasil, Alberto Niccoli Jr está confiante com a qualidade da atração.

“Queremos atingir os fãs de suspense, religião e mosticismo, assuntos que são base para a produção, além dos telespectadores do AXN e possíveis novos que migrarão para o canal. Temos planos e estamos trabalhando em diversos projetos de conteúdo brasileiro, porém ainda não temos nada confirmado. Mas é de interesse do canal dar continuidade ao que estamos começando a fazer com Santo Forte”.

Para alguns diretores e produtores, mais do que uma necessidade ou obrigatoriedade da TV paga, há uma responsabilidade em fazer um conteúdo com qualidade. Os canais precisam ter um cuidado para que o conteúdo seja adequado, fazendo com que eles careçam com essas produções e refletir na audiência.

Nesse mês, o Netflix estreou a série internacional Narcos, dirigida pelo brasileiro José Padilha. A trama em 10 episódios é estrelada pelo também brasileiro Wagner Moura no papel do narcotraficante Pablo Escobar.

Por ser um serviço de vídeos por demanda, o Netflix não é obrigado a seguir a Lei da TV Paga, mas essa situação não deve durar muito mais tempo. No início do mês, durante o Congresso da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), os presidentes da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Manoel Rangel, e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende, informaram que um projeto para regulamentar a cota de programação nacional nos serviços de distribuição de vídeos pela internet está sendo desenvolvido. De qualquer forma, o Netflix já anunciou para 2016 a estréia de 3%, sua primeira série inteiramente brasileira.

Santa Catarina também está de olho no mercado das séries. Incentivado pelo governo estadual o programa Lab Catarina Criativa promoveu em junho o encontro entre produtores e canais de TV. Vinte e cinco propostas foram apresentadas a alguns canais, e a expectativa é de que pelo menos 10 conquistem financiamento. Entre elas estão os seriados de animação infantil Tuca, o Mestre Cuca, do Belli Studio, de Blumenau, e o cômico de ficção ainda sem nome dos cineastas Marcelo Sabiá e Carolina Medeiros, de Urubici, sobre um jovem casal que abre um bistrô na Serra Catarinense.

Matéria original

As coisas que pessoas de diferentes gerações me ensinam todos os dias

Por Bruna de Miranda

Trabalhando há 2 anos e meio em uma loja do centro de Blumenau, tenho histórias sobre conflito de gerações de sobra.  A papelaria foi inaugurada 13 anos atrás, pouco tempo depois que a antiga Papelaria Blumenauense (que havia completado 100 anos aberta) faliu, fato que acabou por trazer todos os velhos clientes de lá, para a Grafitte.

Atendemos pessoas de todas as idades, desde jovens até idosos. As diferenças de comportamento são muito visíveis. Os jovens insistem em entrar no local em bandos, depois da aula, geralmente precisando de materiais para fazer seus inúmeros e incontáveis trabalhos. Eles entram fazendo pedidos no estilo:

- Tipo assim, a gente vai fazer um caderno de scrapbook, e tamo precisando de caneta colorida, papel de scrap, tinta, eva... A gente quer pintar uns desenhos em arabesco na capa tá ligado?

No começo foi visível minha dificuldade. Oi? Scrapbook? Que bicho é esse? O termo é novo e designa decorações personalizadas em cadernos, álbuns e no que você mais imaginar. Mas a minha maior dificuldade foi compreender o que os idosos precisavam:

- Boa tarde mocinha. Você tem a fita de impressora LX300? E rolete Sharp para máquina de escrever, você tem? Bobina para máquina de calcular? Máquina rotuladora?

Minha cara de tacho era muito perceptível. Oi? De que universo saíram essas coisas? Com o tempo fui aprendendo mais, e descobri que essas máquinas não são bichos de 7 cabeças. Mas, as vezes só são caprichos de pessoas mais velhas que não conseguiram se adaptar com aparelhos mais modernos, e continuam utilizando as antigas.O mais difícil é explicar para esses senhores, que muitos formulários que antigamente eram encontrados prontos, hoje em dia foram extintos:

- Eu quero de um formulário para preenchimento de requerimento de advertência, do patrão para o funcionário.

- Hm.. Senhor, esse tipo de formulário não é mais encontrado pronto, pois hoje em dia é tudo feito no computador e não mais preenchido a mão.

Eles têm bastante resistência em aceitar isso, e a culpada sempre acaba sendo eu.  “ Como vocês não tem isso? ”, reclamam eles. Muitos idosos recusam-se a manusear esse “monstro” chamado computador.

Eu fui criada junto da minha vó, mas a outra menina que trabalha comigo e só convive com seu pais, que são jovens, não conhece muito das expressões antigas. Certa vez um senhor estava contando que ele trabalhava numa empresa, onde passava o dia cortando as “fazendas”. Eu prontamente compreendi que ele se referia a fazendas (pedaços) de tecido, porém minha amiga esperou para que ele fosse embora e me perguntou, confusa: “Ele passava o dia cortando sítios????”.

Depois de tanto tempo trabalhando na papelaria, já sei o que procurar quando algum senhor me pede um "formulário contínuo 80 colunas 1 via razão”, ou uma bobina para impressora de cheque.  Sei também o que vender quando um jovem, que está fazendo faculdade, talvez de moda ou arquitetura, pede-me uma folha de papel sulfurise, pincel com pelo de marta, ou um godê.  Mas sem sombra de dúvida, a cada dia aprendo coisas novas com essas pessoas, independentemente da sua idade.