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quarta-feira, setembro 21, 2011

O Rádio trocou a Música pelo pedido de Socorro

Por Rosangela Lara

Uma semana que estava se iniciando com um assunto já em pauta, 11 de Setembro.
Mas ninguém imaginava que aquela semana o Vale do Itajaí também entraria para a história, com o dia 08 de Setembro.
Fazendo parte da equipe da Rádio Nova FM e Rádio Ponte FM (Indaial), o espaço da musica foi tomado pelos pedidos de socorro.
Ao normal de toda chuva aonde se pede caminhões para retirada de mudanças, dessa vez foi muito diferente, o pedido era para barcos e canoas para retirar as pessoas ilhadas.

Nesse momento já se percebia que o estrago seria grande.
Impotente esse é o sentimento diante a situação, era muita chuva e o nível do Rio que não para de subir, e o que estávamos acostumados a fazer que era levar boa musica naquele momento o nosso trabalho era levar apenas informações, de alagamentos, que as pessoas saíssem das aéreas de risco, quedas de barreiras, e relatos de famílias que perderam tudo.

Mais uma vez o Radio mostrou que seu trabalho é fundamental, ele esta em todos os lugares.
O trabalho de uma Rádio nessas horas é fundamental, nosso trabalho fui muito importante fomos um canal entre a população, a defesa civil, e o corpo de bombeiros.

Sofremos juntos com a população, mas o que nos motiva ainda mais era a participação dos ouvintes de uma forma também fundamental, aonde muitos nos repassavam informações fazendo o trabalho de voluntário, e até mesmo de um repórter cidadão.
Foi uma conexão de informações entre todas as Rádios do Vale do Itajaí, todas falavam a mesma língua, era uma troca de informações, locutores realizando fleches para várias Rádio, um misto de emoção e também o jornalismo na veia falando mais alto.

Mas enfim o dia 08 de setembro passou, a água baixou e a esperança de reconstruir voltou no sorriso das pessoas que tiveram sua história marcada mais uma vez pela enchente.

O nosso trabalho continua, agora levando uma palavra de otimismo, esperança, e apoiando todas as ações solidarias em prol de todas as vitimas.
Esse foi e é o trabalho de uma Rádio, em uma emergência, não existe hora, nem dia e nem emoção, o jornalismo prevalece fala mais alto neste momento.

segunda-feira, setembro 19, 2011

Reprise de uma tragédia

Por Guilherme Lemos

Era quarta-feira, feriado de 7 de setembro. As autoridades de Blumenau já estavam a postos para o pior, e nada da chuva parar. Já na quinta-feira, dia 8, chegando na redação do Jornal Folha de Blumenau, soube de tudo o que estava acontecendo. O Rio Itajaí-Açu já tinha passado dos 7 metros, e a cada hora subia cerca de 30 centímetros.

Tínhamos que fechar a edição digital do jornal, e todas as matérias que estavam previstas para serem publicadas caíram para noticiar as condições que Blumenau se encontrava. Algumas ruas já estavam alagando, pessoas já estavam em alerta. Pessoas inclusive que trabalham no jornal estavam preocupadas com suas casas.

Perto do meio dia o rio estava em 9 metros, e a redação da editora fica num local mais alto, entre o Santa Clara Veículos e o Posto Almirante. Mas se começasse a encher a parte de baixo da rua, ficaríamos ilhados. Fechamos a edição do dia, publicamos, e ficamos em alerta na medição do rio e colocávamos no Twitter do jornal. Em torno de 14h, éramos em três: eu, o editor chefe e o gerente executivo um olhando para o outro nos perguntando se deveríamos ir embora. Mas chegou um momento que a situação estava tão crítica, que poderia terminar a energia elétrica a qualquer momento. Então decidimos ir para casa, sem deixar de atualizar o plantão do site e as redes sociais.

O plano inicial era deixar quinta-feira terminar e sexta-feira depois do almoço ir para a redação. Mas o rio não parava de subir, e a editora estava ilhada. Então combinamos de sair pelos arredores de onde morávamos para ver como estava a situação e postando no Twitter as fotos, em tempo real. Foi o que fizemos o dia inteiro. Quando recebemos a notícia de que o rio só iria baixar a partir de meia noite de sexta para sábado, decidimos fechar o jornal impresso no sábado depois de meio dia. E foi isso que fizemos. Ficamos de 11h até 4h da manhã de domingo fechando a edição.

Enquanto estávamos na redação, o rio já estava baixando, mesmo que lentamente, aliviando todos os Blumenauenses, que no dia seguinte já colocaram a mão na massa para limpar a cidade.

domingo, setembro 18, 2011

Enchente em Blumenau: o balanço da tragédia

Por Stéfany Pessoa
Fotos Jaime Batista Silva

Móveis destruídos e empilhados nas calçadas, muita lama e lixo, tristeza e desolação. Este era o cenário nas ruas de Blumenau no último fim de semana. As fortes chuvas que atingiram o estado de Santa Catarina causaram uma das maiores enchentes no município.

Em quatro dias choveu 170 mm, quantidade superior ao estimado para todo o mês de setembro (130 mm). Segundo a Defesa Civil, 91 cidades foram atingidas em todo o estado. A situação mais preocupante foi na região do Vale do Itajaí, onde nove municípios decretaram estado de calamidade pública: Rio do Sul, Brusque, Agronômica, Ituporanga, Aurora, Presidente Getúlio, Taió, Lontras e Laurentino.

Em Blumenau o prefeito João Paulo Kleinübing decretou estado de emergência. O Rio Itajaí-Açú chegou a 12,60 metros, atingindo 280 mil pessoas e deixando 15 mil desalojados. Por conta da enchente, as aulas e o transporte coletivo foram suspensos. O atendimento na saúde só funcionou para casos de urgência, e o comércio fechou as portas. O abastecimento de água e luz também foram afetado. Segundo a Defesa Civil, 400 ruas foram alagadas, cerca de 45 registraram pontos de deslizamentos e 19 ficaram interditadas. Para atender a população atingida foram abertos 15 abrigos públicos na cidade.

Mas, em meio a tanta destruição, o povo blumenauense ainda encontrou forças para recomeçar. Após a trégua da chuva, o fim de semana foi de muito trabalho e limpeza. Os moradores que puderam voltar para casa, contaram com a solidariedade de familiares, amigos, vizinhos e até mesmo desconhecidos para reconstruir o que a enchente destruiu. No centro da cidade, os empresários removiam a lama e os entulhos das lojas. A vida na cidade, aos poucos, vai voltando a normalidade. 


O Governo Federal anunciou a liberação de R$ 13 milhões para as cidades atingidas pelas enchentes em Santa Catarina. Três milhões serão destinados ao Governo do Estado e R$ 10 milhões para 19 municípios. Blumenau receberá R$ 1,5 milhão. Os recursos se destinam a ações de socorro, assistência às vítimas e restabelecimento de serviços essenciais. O dinheiro será repassado por um novo sistema de cartão de crédito, chamado de Cartão de Pagamento de Defesa Civil, que já estava sendo usado em Santa Catarina por conta de enchentes anteriores.



Segundo a Prefeitura de Blumenau, a limpeza das ruas, a retirada de deslizamentos e o auxílio básico inicial às famílias desabrigadas terão um custo estimado em R$ 4,5 milhões. 

Depois da enchente Blumenau começa a se reerguer

 

 A situação pela qual os blumenauenses não queriam passar novamente tão cedo, infelizmente aconteceu, mais uma enchente atingiu a cidade. O pico máximo do rio Itajaí-Açu foi de 12m60cm na sexta-feira (09), o que fez com que várias ruas fossem atingidas pelas águas, prejudicando a maioria da população.

Blumenau foi uma das cidades mais prejudicadas pela enchente, cerca de 280 mil pessoas foram afetadas, aproximadamente 390 ruas ficaram alagadas. Muitas famílias tiveram que sair de suas residências e se alojar em abrigos que foram abertos na cidade, muitas também ficaram ilhadas. A área da saúde, da educação, do transporte coletivo e do comércio foram afetadas. A distribuição de água e luz ficou comprometida em grande parte do município.

As previsões indicavam que o rio Itajaí-Açu em Blumenau chegaria a 14 metros, o que iria somente piorar cada vez mais a situação, mas felizmente isso não aconteceu. E, depois de vários dias de muita chuva, o nível do rio começou a baixar.

Então, começou a parte mais difícil, limpar toda a sujeira que fica depois de uma enchente. Parecia que Blumenau tinha passado por uma guerra, muita sujeira e pó pelas ruas da cidade.

Mas, a população de Blumenau é muita unida e também solidária, todos estavam determinados a reerguer a cidade, e continuar a vida.

Todos juntos por apenas uma causa, fazer com que tudo ficasse como antes. Todos começaram a limpar suas casas, empresas, as calçadas e as ruas que foram atingidas.

A limpeza das ruas atingidas pela enchente e a retirada de entulhos devem custar cerca de R$ 4,5 milhões. A prefeitura do município busca o valor junto ao governo do Estado.



Pontos turísticos da cidade como, o parque Vila Germânica e Ramiro Ruiediguer foram bastante atingidos pela água. Mas, no dia seguinte após a enchente a limpeza já começou.
O Parque Ramiro Ruediger ficou interditado por alguns dias para poder ser limpo e arrumado para o uso da população, foi reaberto ao público no dia 17 de setembro.


Já a Vila Germânica começou a ser limpa a todo o gás, pois a contagem regressiva para a Oktoberfest já começou e tudo tem que estar pronto até o dia 06 de outubro.

Hoje faltam 18 dias para o início da festa, e o local já está limpo, e na última semana começou a ser enfeitado e os retoques finais arrumados.

Por mais que a enchente trague estragos e tristeza para todos, a determinação e luta para que tudo volte ao normal continua de maneira incessante, força Blumenau, logo tudo estará como era antes.

Por Camila Tibes.

Fotos: Jaime Batista.

Enchente em Blumenau atinge a Polícia Militar

Blumenau é uma cidade marcada entre tantos outros fatos pelas enchentes. Ao longo de sua história, enxurradas e enchentes vão fazendo parte da história do povo que mora na cidade.

Nas enchentes de Blumenau muitos fatos chamam a atenção, um deles é a questão de órgãos de segurança pública serem os primeiros locais a serem alagados. O Corpo de Bombeiros Militar (CBM), na Rua Sete de Setembro, Centro e o 10º Batalhão de Polícia Militar (BPM), na Rua Almirante Tamandaré, bairro Vila Nova tem na suas histórias registros das enchentes. Não bastassem esses órgãos, que são construções antigas a nova delegacia regional está sendo construída em uma área onde a cota de enchente é baixa, na Rua Humberto de Campos, Vila Nova.

Aproximadamente há dez anos o 10º BPM tenta mudar de endereço para empresa Lancaster, no bairro Velha, que deve impostos ao governo. O batalhão se mudaria para lá e em troca a empresa ficaria livre da dívida.

Enquanto isso não acontece, a Polícia Militar (PM) de Blumenau sofre com as enchentes. Quando o rio começa a subir os policiais se dividem entre atender a população que precisa de auxílio e a retirar os materiais da unidade.
10o Batalhão de Polícia Militar
Na última enchente, 08 de setembro, a cena se repetiu. Pela manhã os policias começaram a levantar todos os móveis e equipamentos. As viaturas foram levadas para a sede da 7ª Região de Polícia Militar (RPM) que fica junto à estrutura da Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR), na Rua Braz Wanka, bairro Vila Nova, em Blumenau.

À tarde, ainda do dia 08, com a previsão de que o rio Itajaí Açú atingisse 14 metros, veio a nova ordem do comandante do 10º BPM, tenente coronel Cláudio Roberto Koglin: retirar tudo que fosse possível.

Equipamentos menores como computadores e impressoras foram levadas aos pisos superiores da Central Regional de Emergência (CRE), que fica junto a estrutura do 10º BPM. O que não coube lá, por falta de espaço, foi colocado em caminhões.

Do dia 8 ao dia 12 a PM ficou instalada na 7ª RPM. A sala de situação, a reserva de armamentos, alojamento para os policiais que ficaram de prontidão e até a CRE, que recebe as chamadas do 190, tiveram que se alojar na regional.

A CRE ficou com o atendimento comprometido, muitos programas não acessaram e os policiais tiveram recorrer ao papel para registrar as ocorrências. O serviço de rádio comunicação com outras cidades também ficou comprometido pela falta de energia de onde era a sede da CRE, o 10º BPM.
 
Batalhão coberto pela lama
O rio atingiu o nível máximo, 12m60cm, e no batalhão da PM a água chegou a um metro e meio em alguns pontos. Depois que a água baixou, restou a lama e o prejuízo, calculado em R$ 200 mil pelo comandante Koglin.

No sábado, 10, pela manhã, os policiais iniciaram a limpeza da unidade. Foi preciso auxílio do caminhão de água do corpo de bombeiros e do caminhão pipa da prefeitura para retirar o grosso da lama, que cobriu as seções, cozinha, pátio, oficina, simplesmente tudo do batalhão.

Na segunda-feira, 12, a limpeza continuou, foi preciso higienizar as salas, móveis e equipamentos. Os materiais perdidos foram colocados na quadra do batalhão. Uma pilha enorme, incluindo muitos materiais de bingo e jogo do bicho apreendidos nos últimos dois anos pela Polícia Militar.

União também foi o que marcou os policiais nesse período, assim como tantas outras pessoas que ajudaram na limpeza da cidade. Havia policiais de folga e até de férias que vieram para auxiliar.

O empenho de todos os policiais foi importante, seja no patrulhamento da cidade, ajudando diretamente a população, atendendo os chamados do 190, na limpeza do batalhão ou fazendo a alimentação para o grande grupo.

Agora resta saber até quando a faxina vai durar, visto que há rumores de que em outubro a cidade sofrerá com mais uma enchente.

Assista a enchente que atingiu o bairro Vila Nova, onde fica o batalhão da PM.



Por Karin Bendheim
Fotos Karin Bendheim e Noé Fagundes

sábado, setembro 17, 2011

Ajuda pelo rádio

Na última semana mais uma enchente abalou, não só Blumenau mas também outras cidades de Santa Catarina.

Durante esse periodo as rádios e emissoras de televisão não pararam de trabalhar, sempre pensando em passar a informação para o público.

A Força do Rádio(Clube, Nereu Ramos e 90 FM) formou a  rádio da solidariedade, assim como na tragédia de 2008 , que ficaram no ar o maior tempo possível, só parando quando a luz terminava, em 2011 mais uma vez ficaram no ar prestando esse serviço a comunidade,a TV Galega também ficou ao vivo até a madrugada, tudo para ajuda a população de Blumenau e também pelo amor ao jornalismo.

Em 2008, eu estava trabalhando na Rádio Clube, pude acompanhar de perto todo esse trabalho, foi uma loucura, nós  eramos as únicas rádios ao vivo e com isso os nossos telefones ficaram ocupados, eram muitas pessoas ligando pedindo ajuda, procurando parentes, outras pra dizer que estavam bem e queriam avisar os familiares, foram mais de duas semanas de programação totalmente voltada ao povo da região,  voltada para ajudar, demorou dias até voltar a programação normal.

Naquela hora não importava mais a qual emissora cada um trabalhava, eram todos juntos, com vontade e amor para ajudar Blumenau.

Agora em 2011 já na CBN, quando vimos que realmente iria dar enchente, pensei que iria viver 2008 novamente, ficamos no ar até onde dava, fizemos a nossa parte também já que a CBN diferente das outras rádios da região, ela é nacional da Rede Globo, mudamos a programação daqui o quanto nós podiamos, boletins ao vivo em todos os espaços que tinhamos local para fazer o nível do rio, dar alguma outra informação, depois de um tempo não teve mais jeito, a rádio saiu do ar, e as notícias e informações ficaram por conta da nacional.

Mesmo assim, fizemos o nosso trabalho e depois, na segunda feira,uma programação quase toda local na rádio, com entrevistas, informações de todas as cidades atingidadas, e um resumo de tudo que aconteceu e até o nivel das aguas do Rio Itajaí Açu abaixar, nós fizemos boletins ao vivo de hora em hora passando a medição realizada.
Foi um bom trabalho e tenho orgulho de ter participado, tanto em 2008 como agora em 2011.

Foto: Google Imagens
Por Jaade P. de Andrade Soares

O drama se repete: Blumenau volta a ser afetada pela enchente

Por Camila Iara

Menos de três anos depois da tragédia de 2008, a população catarinense precisou respirar fundo e se preparar para o replay. Na semana passada, num período de 48 horas, mais de 50 cidades foram atingidas pela chuva que caía insistentemente há mais de uma semana no Estado. Somente em Blumenau, a cidade mais prejudicada pela enchente, 280 mil pessoas foram afetadas e 15 mil ficaram desalojadas. As aulas e o transporte coletivo também foram afetados e suspensos, e o comércio fechou as portas por tempo indeterminado. Conforme dados da Defesa Civil, cerca de 390 ruas ficaram alagadas.

Residencial Village, no bairro Garcia (Foto: Camila Iara)
No Residencial Village, no bairro Garcia, a força das águas do ribeirão derrubaram o muro que cercava o prédio. Segundo a moradora Neusa Maria Peters, o susto foi grande. “Depois de um dia estressante e cansativo, decidimos ir dormir. No meio da madrugada, acordamos com o barulho do muro sendo derrubado e da água invadindo o prédio. Foi terrível”, lembra. “A pior parte da situação é não saber o que fazer para ajudar. Ficamos ilhados e não conseguimos sair do prédio por três dias. A sensação é de impotência e tristeza pelas pessoas que são afetadas”, complementa.

Com o auxílio de 23 barcos, o Corpo de Bombeiros ajudou a locomover os desabrigados para 20 abrigos disponíveis na cidade. Pacientes que precisavam de tratamentos específicos, como hemodiálise, também foram socorridos e devidamente encaminhados aos hospitais. Felizmente, poucas pessoas se feriram e não houve registros de mortes na cidade. Ainda assim, o Centro de Operação do Sistema de Alerta da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí-Açu (Ceops) apontou  a enchente como a pior desde 1984.

A ajuda que vem pela web

Durante os dias de pavor que marcaram a história de Blumenau, é preciso destacar o papel das redes sociais na transmissão de informação a todo o Brasil. Foi pelo Twitter que muitas pessoas de outros estados do país conseguiram notícias de parentes que moram na cidade. Ainda neste contexto, usuários do micro blog postaram fotos da situação em suas ruas para que as pessoas soubessem qual era a magnitude do problema.

Quem teve sorte de não ficar sem luz ou internet utilizou a tecnologia para ajudar ao próximo. Clínicas veterinárias que precisavam transportar animais para locais seguros foram atendidas graças a pedidos de usuários do Twitter. Por alguns dias, a hashtag #chuvasemsc ficou nos Trending Topics do Brasil. Por meio deste recurso, a população brasileira ficou a par do que estava aconteceu e Santa Catarina foi parar, mais uma vez, na tela do Jornal Nacional.

Depois da tempestade, vem a... limpeza!

Rua Amazonas, em Blumenau (Foto: Camila Iara)
Em meio a tanto desespero, a chuva finalmente cessou na manhã de sexta-feira (09). A previsão era de que o nível do Rio Itajaí-Açu alcançasse a marca de 14 metros acima do nível normal, o que não aconteceu. Ao chegar aos 12, 60 metros, as águas finalmente começaram a baixar. Na manhã de sábado (10), as ruas de Blumenau eram um misto de sujeira e solidariedade: sorridentes e determinados a, mais uma vez, reconstruir seus lares, os moradores da cidade arregaçaram as mangas e começaram a limpar calçadas, estradas e prédios que foram atingidos pelas águas.

Na semana seguinte, vestígios da enchente ainda lembravam os blumenauenses de que, por muito pouco, o estrago não foi maior: a poeira constante, seguida pela lama espalhada pelas ruas, obrigou funcionários do transporte público a andarem com as janelas dos ônibus fechadas. Diogo Luz, estudante de Administração, diz que ainda é preciso dirigir com cuidado. “A poeira fica acumulada nos vidros do carro”, explica. Diogo não foi diretamente afetado pela enchente, mas tem amigos que perderam boa parte de seus bens materiais. “É triste ver as pessoas passando por isso de novo. Agora, precisamos manter o otimismo e torcer para que isso não volte a acontecer novamente. Pelo menos, pelos próximos cem anos”, brinca.

Blumenau: chuva e solidariedade

Por Liana Formento

Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau.
Antes mesmo que o Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau iniciasse o processo de colonização alemã no Vale do Itajaí, em 1850, a então Província de Santa Catarina já sofria com adversidades climáticas. A primeira delas registrou-se na antiga Desterro. Enchentes por aqui, é um fenômeno antigo. Segundo consta no livro "Simplesmente Gaspar", de Leda Maria Baptista, descendentes do fazendeiro José Henrique Flores, anos 1850, ele insistiu que Dr. Blumenau deveria estabelecer a nova colônia alemã - que seria mais tarde Blumenau -, na margem esquerda do Rio Itajaí-Açu (atual Ponta Aguda). Lá seria onde as enchentes teriam menor preocupação, devido a altura dos terrenos. Esses relatos e muitos outros mostram que esses fenômenos ocorreram muito antes da chegada da civilização ocidental e de forma intensa. Também mostra o quanto nós, seres humanos, não respeitamos algumas regras básicas da natureza, quando não tomamos decisões. As enchentes ainda são e sempre serão processos naturais, ninguém as provoca. Agora necessitamos da execução de novas grandes obras para reduzir os impactos negativos desse processo natural.

Assim...

Rua Almirante Tamandaré, dia 10 de setembro.
Mais uma vez a cidade de Blumenau viveu a terrível sensação de ver as águas do Rio Itajaí-Açu subir. Juntos acompanhamos novamente o triste cenários de novembro de 2008. Foi uma semana bastante longa, dia 07 de setembro tivemos um feriado nacional importante, a Independência do Brasil. O desfile tradicional que acontece todos os anos na cidade, foi cancelado devido as chuvas. Mas, não esperavamos que no dia seguinte a cidade de Blumenau fosse enfrentar o que se tornaria umas das maiores enchentes da história da cidade. Dias 08 e 09 de setembro, quinta e sexta-feira, foram dias difícies para todos os blumenauenses. Eu consegui sair de casa para fazer algumas fotos na manhã do sábado dia 10. Graças a Deus onde moro não tem risco de cheias, mas o coração aperta ao acompanhar todo o caos ao redor do Vale do Itajaí. Outras cidades como Itajaí, Gaspar, Brusque, Rio do Sul e Ituporanga, também foram gravementes atingidas pelas fortes chuvas. Entra em cena a solidariedade, umas das palavras mais usadas após a trágedia.

Reconstruindo Blumenau - Vídeo lançado pela Prefeitura da cidade em 2008.





Heróis das enchentes

Rua Marechal Deodoro, dia 10 de setembro.
Durante tragédias como esta que voltou a castigar Santa Catarina na semana passada há incontáveis heróis. Bombeiros, policiais civis e militares, profissionais da saúde, pilotos de helicópteros, voluntários e muita gente que trabalha com paixão resgatando vítimas, levando assistência material e muita solidariedade. Esse tipo de ação representa a força e a volta por cima de todas as pessoas atingidas. A imprensa também foi muito elogiada pelo governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, que ressaltou a qualidade do trabalho realizado durante os dias de inundações. A importância desse trabalho, feito com seriedade e muita competência, sem sensacionalismo, foi aplaudido intensamente.

Rua Marechal Deodoro.
O governador também já prestou contas sobre as ações no Vale do Itajaí. Pediu um relatório de secretários e dirigentes de órgãos estaduais sobre o atendimento as vítimas. A liberação do FGTS também está sendo aguardada pelos atingidos em grande expectativa. O prefeito de Rio do Sul, Milton Hobus, tem a promessa das autoridades federais e considera essa liberação fundamental para que todas as famílias possam recomeçar tudo de novo.

Confira mais fotos da enchente, aqui!

A união mora em Blumenau

Por Marcos Maia Borges

Blumenau é uma cidade próspera, referência em alguns setores industriais e de extrema importância para Santa Catarina. Ou, como diriam os políticos que por aqui passam vez e outra, “esta é uma cidade pujante”. Mas como pode um município historicamente assolado por enchentes conseguir tal status? A reposta para isso pode residir na reação das pessoas à última cheia do Rio Itajaí-Açu, que começou dia 8 de setembro. Blumenau foi uma das cidades mais atingidas. O rio chegou a quase 12 metros, ruas ficaram alagadas e outras parcialmente interditadas por quedas de barreiras. As aulas de todas as faculdades e das redes estadual, municipal e privada foram canceladas por dois dias e os prejuízos ainda são contabilizados.

Segundo dados da Defesa Civil, foram mais de 300 mil pessoas afetadas de alguma forma pela enchente, sendo que 15 mil ficaram desalojadas, cerca de 600 tiveram de ir para abrigos e 138 se feriram. Os danos materiais registrados são de quase 11 mil casas danificadas, faltou abastecimento de água, energia elétrica e telefone em boa parte do município. O transporte coletivo ficou suspenso e os hospitais estavam atendendo somente casos urgentes, com os pacientes levados por embarcações do Corpo de Bombeiros.

A prefeitura, inclusive, decretou situação de emergência.  O estrago poderia até ter sido maior, visto que todos esperavam chuva forte no dia 10, fazendo o rio alcançando os 13 metros acima do nível normal, mas isso não aconteceu.

Depois da tempestade, veio a bonança. E os blumenauenses não perderam tempo se lamentando ou reclamando, eles puseram as mãos na massa. Já no sábado (10), quando a chuva cessava e o rio baixava, na Associação dos Municípios do Médio Vale do Itajaí (Ammvi), que fica localizada próximo do Parque Vila Germânica, por exemplo, funcionários começavam a limpar o edifício, atingido já com 9 metros, e a contar o que fora levado pela força da água. Não somente ali, mas nas 500 ruas afetadas na cidade as pessoas já se organizavam para a limpeza e remoção dos entulhos.

Na Rua XV de Novembro, empresários e funcionários iniciaram a limpeza das lojas. Uma cena já corriqueira na história da cidade. Na hora da dificuldade, todos se unem em prol de um único objetivo: reerguer o município.

Essa união também foi refletida no comportamento das autoridades de Blumenau. O prefeito do município, João Paulo Kleinübing, se reuniu imediatamente com representantes da Defesa Civil do Município, Exército – através do 23º Batalhão de Infantaria -, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e secretários para assim coordenar um comitê de combate à cheia. A solução aparentemente deu resultados, não houve vítimas fatais e inúmeros são os relatos de cidadãos resgatados por embarcações desses órgãos.

A imprensa, sempre com sua ferrenha briga por audiência, também se uniu diante das dificuldades. As rádios Clube, Nereu Ramos e 90fm transmitiram conjuntamente as informações da enchente, dando espaço para a comunidade ligar e perguntar sobre uma pessoa que não tinha aparecido.

A prefeitura trabalha para a implantação de um plano de prevenção a longo prazo para reduzir ao máximo os danos.

Histórico

O fundador da cidade, Doutor Hermann Bruno Otto Blumenau, já sofrera com a ira do rio Itajaí-Açu logo que chegara aqui em 1850. No ano de 1852 aconteceu a primeira enchente, que chegara a 16,30 metros. Depois disso vieram tantas outras. A pior da história aconteceu em 1911, inimagináveis 16,90 metros assolaram Blumenau, uma cidadezinha de imigrantes na época.

Foto: Jaime Batista da Silva

A Solidariedade que move Blumenau

Por Matheus Gritten

Nesta última semana, Blumenau, bem como outros municípios do Vale do Itajaí, sofreram mais uma vez com fortes chuvas, e consequentemente, com a enchente que assolou a região. Grande parte da população foi afetada, direta ou indiretamente, tendo sua casa ou rua invadida pelas águas, ou sua empresa, ou mesmo algum amigo ou conhecido que passou por dificuldades.

Eu fui um dos moradores de Blumenau que foi atingido diretamente. Eu e minha família vivenciamos a angústia, mas também mantivemos a esperança de que tudo daria certo no final, com nossa cidade se reerguendo, literalmente sacudindo a poeira e mais uma vez, se reconstruindo. O povo desta cidade, é lutador. Blumenau já passou por mais de uma centena de enchentes – esta de setembro não foi a primeira e tampouco será a última – e aprendeu a restabelecer a normalidade em questão de dias. 

Entretanto, é necessário reconhecer que muito ainda precisa ser feito para que a população da cidade possa se prevenir e evitar um grande número de danos. Aperfeiçoar o sistema de cotas de inundação das ruas, já que o atualmente usado se refere às medições realizadas na década de 1980. Também é importante conscientizar os moradores para que deixem as áreas de risco, de deslizamentos, e as que foram atingidas com os alagamentos conforme o avanço das águas do rio Itajaí-Açu. 

E apesar dos percalços, a vida segue. As águas subiram, mas baixaram. Ficou a lama e a poeira, mas em seguida outra chuva, mais leve, se encarregou destas.  E o que sempre acompanha o fim de um acontecimento como este, toma o lugar: a solidariedade. A capacidade de os seres humanos se unirem em prol do bem comum, toma conta das casas e da vida das pessoas. Aqueles que perderam suas coisas, receberão doações. Em 2008, o Brasil inteiro se juntou para que a população catarinense pudesse superar a catástrofe. Em 2011, apesar de que em menor grau, não será diferente.

Começando pelas pessoas que moram ao lado, pela vizinhança. O povo sabe se ajudar, e se unir para reconstruir lares, e assim, retomar o caminho que estavam seguindo. Blumenau se reconstrói, e logo poderá mais uma vez ser reconhecida como a cidade de povo guerreiro, hospitaleiro, e que sabe como dar uma festa, participar dela e receber os turistas. Cidade também que é florida, e assim como ocasionalmente o sol, brilha a esperança.

Ajuda ao lado: Como o blumenauense cooperou depois da enchente

Por Ricardo Lunge

Depois da previsão de enchente e do ocorrido que aconteceu em Blumenau nos dias 08 e 09 de setembro promoveu muito mais que mudanças de rotina, trouxeram mudanças nas atitudes dos blumenauenses. Mesmo a cidade tendo cerca de 280 mil pessoas atingidas, não faltaram pessoas para ajudarem umas as outras em meio ao caos, ao barro e a tristeza nas perdas.

Caminhando pelas ruas , quando as águas ainda baixavam, o que se via eram muitos entulhos e restos de móveis, porém muitas pessoas estavam unidas, umas as outras se ajudando no que era necessário para fazer a limpeza do que restou após as águas baixarem.

Nas redondezas do terminal da fonte, início de um dos maiores  bairros de Blumenau, Garcia , um dos locais em que a água subiu no nível do teto das casas e comércios, na Personal Exercício, academia que a alguns meses foi aberta teve muita lama e equipamentos, fichários e anotações para serem arrumados. Ao chegar ao local no sábado (10), o proprietário, Sérgio Carvalho, com um olhar e algumas palavras pode expressar o que a maioria da população tinha a dizer naquele momento: “Não sei nem por onde começar”.

Lama, vidros quebrados e papéis molhados eram o que se tinha como companhia, porém, como em uma equipe que trabalha unida, as pessoas, amigos e conhecidos, foram chegando na academia, e com uma atitude de família, já pegavam em um rodo ou vassoura e começava a limpeza, algumas horas e podemos presenciar, e claro,participar desta oportunidade de ajuda. O local não parecia o mesmo. Onde existia barro, o branco voltou, onde haviam vidros quebrados, um suporte de madeira foi colocado para amenizar o buraco causado, tudo com auxilio dos amigos.

Ficou muito claro com esta situação ocorrida em Blumenau que a cooperação é algo que está no ser humano. A ajuda ao próximo é provocada das mais diversas formas, e nestes momentos pode-se perceber como todos procuram ajudar como podem.
E aqui em Blumenau muitas amizades foram construídas através das limpezas ocorridas nos locais afetados. Enquanto isso a cidade busca se recuperar e voltar ao seu normal.