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segunda-feira, setembro 19, 2011

As águas do Itajaí Açu inundam mais uma vez a cidade de Blumenau


Jaime Batista da Silva
No dia 08 de setembro Blumenau acordou com a certeza de que o rio transbordaria e, mais uma vez, a cidade seria inundada pelas águas. As chuvas das últimas semanas foram constantes e várias cidades do estado também foram assoladas pela enchente.

Como previsto pela defesa civil a partir das primeiras horas da tarde o nível do rio aumentou consideravelmente e tomou as ruas da cidade.

Quando o rio atingiu os 8,5 metros nove ruas da cidade foram alagadas. A partir daí a única coisa a se fazer era tentar salvar móveis e mercadorias das lojas e empresas e partir para um lugar seguro.

No fim da tarde todo o centro já estava alagado, causando um dos maiores prejuízos materiais já registrados na cidade.

O Hospital Santa Isabel, localizado na Rua Floriano Peixoto, no centro, emitiu comunicado às 11h00min informando que operava com número reduzido de funcionários e passaria a atender somente urgências e emergências.

Vários bairros ficaram isolados e um grande número de pessoas desabrigadas.


Redes Sociais: principal fonte de informação

Quando a enchente era inevitável a maioria das empresas da cidade, bem como as universidades e colégios, liberaram seus funcionários e alunos.

Como o transporte público ficou sem condições de trafegar, as operações ficaram comprometidas e muitas linhas simplesmente pararam.

Com as televisões locais transmitindo a programação nacional, somente as rádios e a TV Galega fizeram plantão, repassando informações úteis à população, porém é inegável o poder da internet nesses momentos. Com o deslocamento comprometido, os veículos convencionais se utilizaram da rede para colher informações e repassá-las à população.

As redes sociais, principalmente o Facebook e Twitter, tiveram como principal assunto o caos na cidade. O tráfego de fotos e vídeos foi imenso e possibilitou a todos que estavam conectados ter a visão da real situação nos mais diversos pontos da cidade – inclusive pautando e abastecendo veículos nacionais de informações.

O Jornal de Santa Catarina, o principal da cidade, disponibilizou durante todos os dias sua edição diária via web, além de atualizar constantemente sua home page com notícias sobre a tragédia.


Jaime Batista da Silva

Sai o sol

Foram quatro dias de muita tensão. Em alguns pontos da cidade houve falta de energia e água tratada, porém, o mais importante, não foi registrado nenhuma morte.

No domingo o sol voltou a brilhar e então iniciou-se os trabalhos de limpeza e reconstrução – algo que a população blumenauense já está acostumada a fazer e o faz em tempo recorde.


Enchentes: a sina blumenauense

Não é de hoje que a população blumenauense conhece a fúria das águas. Há relatos desde 1852. Porém a situação agravou-se consideravelmente desde 1983, quando uma das maiores cheias de todos os tempos destruiu a cidade.

Veja abaixo um breve histórico das principais cheias na cidade:

1983 – Uma das maiores cheias na cidade aconteceu nesse ano. Segundo o historiador Adalberto Day publicou em seu blog “a enchente de 1983 teve uma duração de 32 dias, do dia 05 de julho até 05 de agosto,atingiu a marca maior no dia 09 de julho, 15,34 metros”.

1984 – No dia 07 de agosto o rio atingiu 15,46 metros, o que causou tantos danos quanto no ano anterior, porém a enchente durou menos dias e a reconstrução da cidade foi mais rápida. Nesse ano surgiu a Oktoberfest, que é o maior produto cultural da cidade – a festa foi feita para levantar o ânimo da população e desde então tem sua edição anual durante o mês de outubro.

2008 – Nesse ano além das cheias do rio outro fenômeno assolou o Vale do Itajaí: os deslizamentos de terra, que causaram a morte de centenas de pessoas. Considerada a maior tragédia natural de todos os tempos no Brasil, a última semana de novembro nunca sairá da memória dos blumenauenses.

Portal Bela Santa Catarina

por Cícero Nogueira

domingo, setembro 18, 2011

Enchente em Blumenau atinge a Polícia Militar

Blumenau é uma cidade marcada entre tantos outros fatos pelas enchentes. Ao longo de sua história, enxurradas e enchentes vão fazendo parte da história do povo que mora na cidade.

Nas enchentes de Blumenau muitos fatos chamam a atenção, um deles é a questão de órgãos de segurança pública serem os primeiros locais a serem alagados. O Corpo de Bombeiros Militar (CBM), na Rua Sete de Setembro, Centro e o 10º Batalhão de Polícia Militar (BPM), na Rua Almirante Tamandaré, bairro Vila Nova tem na suas histórias registros das enchentes. Não bastassem esses órgãos, que são construções antigas a nova delegacia regional está sendo construída em uma área onde a cota de enchente é baixa, na Rua Humberto de Campos, Vila Nova.

Aproximadamente há dez anos o 10º BPM tenta mudar de endereço para empresa Lancaster, no bairro Velha, que deve impostos ao governo. O batalhão se mudaria para lá e em troca a empresa ficaria livre da dívida.

Enquanto isso não acontece, a Polícia Militar (PM) de Blumenau sofre com as enchentes. Quando o rio começa a subir os policiais se dividem entre atender a população que precisa de auxílio e a retirar os materiais da unidade.
10o Batalhão de Polícia Militar
Na última enchente, 08 de setembro, a cena se repetiu. Pela manhã os policias começaram a levantar todos os móveis e equipamentos. As viaturas foram levadas para a sede da 7ª Região de Polícia Militar (RPM) que fica junto à estrutura da Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR), na Rua Braz Wanka, bairro Vila Nova, em Blumenau.

À tarde, ainda do dia 08, com a previsão de que o rio Itajaí Açú atingisse 14 metros, veio a nova ordem do comandante do 10º BPM, tenente coronel Cláudio Roberto Koglin: retirar tudo que fosse possível.

Equipamentos menores como computadores e impressoras foram levadas aos pisos superiores da Central Regional de Emergência (CRE), que fica junto a estrutura do 10º BPM. O que não coube lá, por falta de espaço, foi colocado em caminhões.

Do dia 8 ao dia 12 a PM ficou instalada na 7ª RPM. A sala de situação, a reserva de armamentos, alojamento para os policiais que ficaram de prontidão e até a CRE, que recebe as chamadas do 190, tiveram que se alojar na regional.

A CRE ficou com o atendimento comprometido, muitos programas não acessaram e os policiais tiveram recorrer ao papel para registrar as ocorrências. O serviço de rádio comunicação com outras cidades também ficou comprometido pela falta de energia de onde era a sede da CRE, o 10º BPM.
 
Batalhão coberto pela lama
O rio atingiu o nível máximo, 12m60cm, e no batalhão da PM a água chegou a um metro e meio em alguns pontos. Depois que a água baixou, restou a lama e o prejuízo, calculado em R$ 200 mil pelo comandante Koglin.

No sábado, 10, pela manhã, os policiais iniciaram a limpeza da unidade. Foi preciso auxílio do caminhão de água do corpo de bombeiros e do caminhão pipa da prefeitura para retirar o grosso da lama, que cobriu as seções, cozinha, pátio, oficina, simplesmente tudo do batalhão.

Na segunda-feira, 12, a limpeza continuou, foi preciso higienizar as salas, móveis e equipamentos. Os materiais perdidos foram colocados na quadra do batalhão. Uma pilha enorme, incluindo muitos materiais de bingo e jogo do bicho apreendidos nos últimos dois anos pela Polícia Militar.

União também foi o que marcou os policiais nesse período, assim como tantas outras pessoas que ajudaram na limpeza da cidade. Havia policiais de folga e até de férias que vieram para auxiliar.

O empenho de todos os policiais foi importante, seja no patrulhamento da cidade, ajudando diretamente a população, atendendo os chamados do 190, na limpeza do batalhão ou fazendo a alimentação para o grande grupo.

Agora resta saber até quando a faxina vai durar, visto que há rumores de que em outubro a cidade sofrerá com mais uma enchente.

Assista a enchente que atingiu o bairro Vila Nova, onde fica o batalhão da PM.



Por Karin Bendheim
Fotos Karin Bendheim e Noé Fagundes